Ritchie: Por que o Britânico que conquistou o Brasil nunca mais voltou para a Inglaterra? Por wagner Exo Janeiro de 2026 – O ano da celebraç...
Ritchie: Por que o Britânico que conquistou o Brasil nunca mais voltou para a Inglaterra?
Por wagner Exo
Janeiro de 2026 – O ano da celebração do Pop Nacional
Houve um tempo em que as rádios brasileiras não tocavam outra coisa. Entre o brilho dos sintetizadores e a explosão do rock nacional, um sotaque peculiar e uma voz cristalina dominavam as paradas. Richard David Court, o Ritchie, não era apenas um "gringo" de passagem; ele se tornou a arquitetura do pop brasileiro. Mas, no auge do sucesso, uma pergunta começou a ecoar nos bastidores: por que ele escolheu ficar?
O Professor de Inglês que virou Estrela
A história de Ritchie no Brasil começa muito antes da fama. No início dos anos 70, ele trocou o frio de Londres pelo calor do Rio de Janeiro, movido por uma rede de contatos que incluía os Mutantes. Antes de ser o dono das paradas, Ritchie foi o "homem dos bastidores".
Curiosamente, ele sobreviveu dando aulas de inglês para a elite intelectual e artística da época. Entre seus alunos estavam ninguém menos que Gal Costa e o escritor Paulo Coelho. Esse contato profundo com a língua e a cultura brasileira permitiu que ele fizesse algo raro: cantar em português com uma dicção tão perfeita que, para muitos, ele já era "da casa".
A Ciência de um Hit: "A Vida Tem Dessas Coisas"
Se "Menina Veneno" foi o terremoto, "A Vida Tem Dessas Coisas" foi o alicerce que provou que Ritchie não era um artista de um hit só. Lançada em 1983 no emblemático álbum Voo de Coração, a música encapsula a filosofia do artista.
A Estrutura: Com sintetizadores que nada deviam às produções de Londres ou Nova York, a faixa trouxe uma sofisticação sonora inédita para o Brasil.
A Mensagem: Escrita com Bernardo Vilhena, a letra fala sobre os desencontros e a aceitação do destino.
Dados de 2026: Hoje, a música vive um "renascimento digital". Nas turnês atuais que celebram seus 40 anos de carreira (2023-2026), ela é o momento de maior conexão emocional com o público, acumulando números de streaming que superam muitos lançamentos atuais do gênero pop.
O "Sumiço" Estratégico: O Pioneiro da Tecnologia
A grande polêmica que cerca a carreira de Ritchie é o seu suposto desaparecimento nos anos 90. A verdade, porém, é menos glamourosa e mais tecnológica. Enquanto a indústria fonográfica mergulhava no sistema de "jabá" e produções em massa, Ritchie — um perfeccionista nato — recusou-se a baixar o nível.
Ele foi um dos primeiros artistas no Brasil a entender que o futuro não estava nos grandes selos, mas na rede. Tornou-se um "geek" da tecnologia, montando sua própria estrutura digital e estúdio. Ele não sumiu; ele se tornou independente antes de a independência ser moda.
Por que ele nunca voltou?
Hoje, em 2026, a resposta é clara. Ritchie não ficou no Brasil apenas pelo sucesso comercial, mas pela construção de uma identidade. Ele encontrou aqui uma liberdade criativa que a rígida cena britânica talvez não lhe desse na época.
Ritchie permanece ativo, com uma voz preservada e uma produção de palco que mistura o retrô com o ultra-moderno. Ele provou que, na música, o lugar de onde você vem importa menos do que o lugar onde você escolhe fincar suas raízes.
No fim das contas, a decisão de ficar foi a melhor nota que ele já tocou.
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